Mexe no teu, larga o Tua

A minha, tua, nossa, vossa e em breve de ninguém…

Linha do Tua

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Depois de muito planeamento da Marta e uma ajudinha da Ana, eis que finalmente surge o dia de partida para o brevemente extinto Rio Tua e a sua linha de comboio cheia de história.

A ida começou com a viagem de carro até Mirandela, já a lua nos iluminava o caminho. Para começarmos a caminhada bem fresquinhos e para apanhar o Metro até Cachão (daqui para a frente já não há metro/comboio) logo pela manhã do dia 1, optámos por passar a primeira noite em Mirandela, num parque/jardim improvisado.

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Depois da primeira noite fria e de uma alvorada cheia de energia, apressamo-nos, tal era a vontade de dar realmente início à aventura… Caminhar Pela Linha do Tua!…

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A animação começou assim que entramos no metro, nós, 8 jovens de mochilas às costas, não podíamos passar despercebidos aos olhos da restante tripulação. A presença “da juventude” é sempre um motivo de alegria e entusiasmo para os mais velhos; provavelmente fá-los lembrar outros tempos…

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Caminhámos até à aldeia da Ribeirinha, onde encontrámos o “famoso” Sr. Abílio e a sua esposa, que se prontificou a dar-nos guarida na estação. Felizmente não tínhamos de dormir ao “relento”, ainda mais com a chuva a chegar… Com o abrigo já tratado, houve ainda tempo para conhecer a aldeia, falar com os já poucos habitantes locais e trocar ideias com estes ao calor da salamandra no único café existente e prestes a desaparecer…

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Na manhã de Sábado, com o sol já a querer espreitar, muitos tiravam grande parte do seu tempo matinal a arrumar de forma equilibrada as suas mochilas. Tralhas arrumadas, o grupo fez-se à linha até S. Lourenço!…

Com a falta de banhos, a ideia de encontrar umas termas em S. Lourenço era cada vez mais apetecível! Será que ainda existem!? Será que estão fechadas!? A esperança era a última a morrer…

Chegámos! Uma aldeia fantasma dá-nos as boas vindas e as bem ditas termas ainda brotavam água! Com cheiro a enxofre, mas quente… Fez as delícias da malta! Como não podia deixar de ser, tivemos direito a acantonar, desta vez numa estação abandonada, mas remodelada!…

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Fogueira… Jantar… Muita conversa… Uma cozinha que fez de quarto e estamos prontos para a última etapa!

O terceiro dia começou de madrugada e desta vez deu para experimentar as traves geladas que mais pareciam manteiga debaixo das nossas botas!…

Se por um lado tínhamos razões para ficar nostálgicos pelo facto da viagem pelo vale estar a terminar, por outro tínhamos paisagens cada vez mais bonitas e únicas, acompanhadas dos primeiros túneis, que já ansiávamos ver!…

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Infelizmente, nos últimos Kms, os trabalhos da Barragem já são bem visíveis. Parámos, ficámos a olhar, em modo “minuto de silêncio”, enquanto sentíamos algo cá dentro a quebrar devagarinho… A construção estava a apagar toda aquela beleza à qual já estávamos habituados.

Já na estação de Tralhariz a questão que reinava era “onde fica a aldeia!?”. Lá teríamos a aguardar-nos o nosso transporte de regresso a Mirandela (Táxi). Pelo GPS, sabíamos que estaria apenas a 50 metros, isto em linha recta… O que não sabíamos é que tínhamos de serpentear o Douro Vinhateiro, numa encosta bem acentuada… A água já escasseava e o cansaço começava a tomar conta de alguns. Até que… “Olha um Táxi!!”. Tínhamos finalmente chegado…”Água, água!!” era o requisito de todos… Lá nos saciamos e siga viagem no veículo que mais parecia uma Montanha Russa!…

Chegados a Mirandela, a aventura não terminou, apenas mudou! Próximo destino: Serra de Passos!… Onde iríamos ter um dia dedicado à escalada!… Para uns, era mais um dia, para outros, o primeiro de muitos!

O spot de dormida deixou de ser de tijolo e voltámos ao acampamento, desta vez num pinhal. Depois de uma bela fogueira, lá recarregámos as energias para, na manhã seguinte, conseguirmos deslumbrar o amanhecer naquele ponto tão alto, onde os montes transformavam-se em ilhas rodeadas de neblina.

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Fim do dia, queria dizer voltar a Lisboa e à rotina… Será!?…. É que Penha Garcia e Monsanto ficam “já ali…” E até têm uma escola de escalada, para não falar no bonito geoparque e na aldeia mais portuguesa de Portugal!… Pelo que já em viagem, lá fizemos o “pequeno” desvio e acrescentou-se um dia à viagem.

Escalou-se pouco, pois a beleza envolvente convidava-nos para uma visita a pé que nos fazia perder noção do tempo. Tivemos também direito, pela primeira vez, a um “descanso de guerreiro” depois de almoço que, mesmo sem ser planeado, todos acabaram por o fazer. Mas como nem só de descanso vive esta malta, alguns fizeram um esforço de banhar-se no rio gelado, em prol de mais um banho e menos uns odores!

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Por fim, uma visita a Monsanto, com a ideia de ver-mos o pôr do sol… E com uma saudação ao sol, a toda a viagem e a todas as ligações criadas, com um brinde de licor de framboesa da terra.

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Na altura de regressar, todos olhámos uns para outros a pensar “será que é desta!?”. Ainda surgiram propostas, mas nem todos podiam passar mais um dia fora…Para nostalgia de todos…

Com tanta vontade de desvios… Lá fizemos mais um, desta vez em direcção a Ourém. Este curto, apenas para jantar, onde a mãe do Diogo nos deliciou com um belo jantar.

Quando terminado o caminho de volta, ficou marcada A grande Viagem/Aventura por locais esquecidos, que guardam ainda tanta beleza e riqueza… Ficou a vontade de repetir…. E já se fala na próxima linha!

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Texto: Luís Claro Fotos: Pauline Dervechian & Tiago Lamelas